e eu
queria tanto chão
que o pesar se desdobrou
entorpeceu minhas asas.
penas, poeira e sangue
fez-se o amálgama grosseiro
de todo o verbo do ar.
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cabe então ao homem lançar-se às chamas.
sentir nas pontas dos dedos as marcas de corte.
fazer sua alma arder.
que faz-se veludo negro o céu,
encobre sua fragilidade
e a transmuta.
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São já quatro, e eu nada de entender qual foi o erro afinal.
Era um corpo todo, de suspiros tão marcados e dentes.
Deixei manchas como prova da minha passagem por suas terras,
e depois juntei a palha.
Amarrei em um boneco que vesti de mim. Te presenteei e você aceitou
– na minha frente seria rude recusar cuidados.
Chove, então. Encharca toda a palha. Finda a tarde e sobe o cheiro do corpo que eu te ofereci.
*
Será que você sabe como me chamar?
Não se preocupe com isso, chama.
Eu vou como for e entrego promessas.
Respondo aos espasmos.
*
Deixou poças e levantou um ar doce, a chuva.
Depois de levar o amarelo, devolveu,
baixando cinzas, revolvendo nuvens.
Fez sol então – foi a única notícia que eu pude dar ao dia.
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o pior é o não saber se é medo ou desamor tanta espera.
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eu notei e então me fiz ver.
virei-me de lado e dormi - estava à vista e precisava da calma por perto para esconder os riscos de parecer vulgar demais.
voltei a mim com o peso do seu olhar já todo caído no meu colo, entre as minhas pernas, duro. e então, me fiz ver. de novo.
você chegou mais para perto. as mãos inquietas não resistiram em se aproximar. tinham ritmo próprio, destro.
não resisti ao toque, às unhas suas. ao punho, ao braço.
os seus dedos e toda a música que eles traziam enquanto os meus procuravam compreender de quais linhas estavam se aproximando.
a boca, bochecha, pescoço, orelha.
e a minha vontade de me dizer seu na próxima parada. o seu medo em me ver descer.
não desci. e você se apresentou.
disse de todo o sonho que te trazia. do seu gosto.
roubou um beijo - que eu lhe daria se pedisse.
vi-me seu, enfim e hoje espero que me queira ainda.
ou que, ao menos, me tenha feito uns versos também.
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aqui o sol é todo o lado.
lá vinha pelas beiradas e se avizinhava, parecia exato.
cobria as massas de um seu dourado e era mais quente- até treino dizer.
era, no entanto, grosseiro em seus modos. as maneiras eram mais recrudecidas.
mas havia quaisquer adornos que recuperavam alguma ligeireza dos dias.
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as beiradas, as pontas dos dedos…
as arestas querem tocar um lugar bem simples, conhecido.
mas têm medo de provocarem aquele desconforto já sabido,
que tira o grave que curva as sobrancelhas vigilantes demais.
eu tinha tido disso antes, é bem verdade.
mas hoje nenhuma posição me acomodava bem. era motivo de movimentos bruscos dos braços, o quadril desandado… procuravam o lugar.
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têm sido de virtudes os gestos,
podre o peito.
vulgo o leito,
onde se deita a tarde
no peito desse homem.
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pedir por um dia ter alguma medida do dom do milton nessa vida.
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percebi que aqueles bichos tão ibernosos tinham se acostumado a gastar o tempo de maneira diferente daquela que meus braços aquecidos sabiam tão bem.
era bonito vê-los se movimentarem. o ar de água condensada saindo de seus sorrisos.
pena era notá-lo só agora.
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era um cheiro de morte o que imantava o quarto com gritos agudos arritmados àquela tarde.
meu estômago já tinha aprendido o esperar do pouco.
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